Mostrar mensagens com a etiqueta Jean Renoir. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jean Renoir. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

13 de Novembro


The River (O Rio Sagrado) de Jean Renoir, apresentado por Renaud Legrand, filmado por Pierre Léon


Renaud Legrand apresenta "The River" (O Rio Sagrado) de Jean Renoir from O Cinema a volta de cinco artes on Vimeo.
Filmado por Pierre Léon, Renaud Legrand apresenta "The River" (O Rio Sagrado) de Jean Renoir no âmbito de "O Cinema à volta de cinco Artes - cinco Artes à volta do Cinema". ©Pierre Léon/Renaud Legrand

THE RIVER (O Rio Sagrado) de Jean Renoir - 13.11.2012 - 19h00


(...) Embora o filme siga este lento fluir do tempo e do rio, avance constantemente na estabilidade e relatividade do presente, Renoir também conhece a complexidade do tempo, ou a percepção que temos dela, não esquece que o tempo actual é “ao mesmo tempo” o passado, as recordações, as coisas inscritas em si, por muito “homem novo” que sejamos, e que surgem à superfície do rio. Esta presença do passado, esta combinação em cada um de nós que não respeita a cronologia, exprime-a ele com a voz off - a pequena Harriet que se torna adulta e que não vemos, um fantasma na ficção, tornando emblemática a figura da infância - que conta no passado enquanto a imagem mostra o presente do passado, ou o passado no presente. Simultaneamente, coloca o espectador num momento entre, nesta actualidade da recordação, um tempo intemporal.
(...)
E Renoir rejubila com a cor - não chegou mesmo a mandar pintar a vegetação por achar que faltava brilho? Uma utilização da cor sinfónica, o bater ribombante de pratos, além de um dueto com a música, quer aquando da festa de Diwali com fogueiras e Convite à Valsa de Weber, ou para proclamar a chegada da primavera, com árvores floridas, bombardeamento de giz colorido e percussões desenfreadas. A música de O Rio Sagrado é principalmente a das circunstâncias: ouvimos o que as personagens ouvem, folclore indiano nas ruas, na casa o Convite à valsa na grafonola, Schumann tocado ao piano por uma das crianças, mas não música de filme. Antes uma música documental, captada ao vivo durante a filmagem, como que roubada à realidade desta família de ficção.
Renaud Legrand
Paris, Outubro de 2012
in catálogo "cinematografia - musicalidade 2"

domingo, 1 de novembro de 2009

LA CHIENNE de Jean Renoir - 05.11.2009

 
(...) Um dos pontos centrais da sua obra [Jean Renoir] nos anos 30 é a tensão entre um fundo naturalista e a teatralização da narrativa (nos anos 50, depois de The River, a teatralização sobrepujou quase por completo os outros aspectos do seu cinema). Temos em La Chienne uma espantosa afirmação disto, quase sob a forma de uma declaração de princípios. O filme é certamente uma obra-prima “realista”, a começar pelo uso do som directo, que enche a banda sonora dos ruídos das ruas de Paris e também por uma multiplicidade de pormenores humanos e de adereços, que transpõem para a tela a realidade da cidade onde a acção se situa. Basta comparar os motoristas de táxi de La Chienne ao de Quatorze Juillet, de René Clair (os de Renoir parecem “verdadeiros”) ou pensar em pormenores visuais, como o plano sobre a espátula que tira o excesso de espuma dos copos de cerveja, para sentirmos o sólido fundo realista, naturalista, de La Chienne. Mas esta obra tão cheia de pormenores realistas (e não apenas pormenores, pois o som directo faz parte da própria estrutura do filme), é enquadrada por imagens de um teatro de marionetas. No plano de abertura, personagens do guignol, que podem ser vistos em quiosques de quase todos os jardins de Paris, apresentam-nos o filme como se apresentassem um espectáculo para crianças, porém com outras palavras: “Não é um drama, nem uma comédia, não há moral e os heróis são pessoas comuns”. Ditas por uma marioneta, estas palavras perdem qualquer ênfase. E o último plano do filme mostra-nos a cortina do teatro de marionetas que se fecha. Em suma, assistimos a uma espécie de espectáculo de teatro de títeres e ao mesmo tempo a um filme “realista”, que proclama nos seus planos de abertura e de conclusão que o que vamos ver é teatro, que não tem nada a ver com a “realidade”: “o espectáculo vai começar”.
Antonio Rodrigues
Folhas da Cinemateca
in catálogo "cinematografia – teatralidade 1"
Lisboa, Outubro de 2009

domingo, 21 de setembro de 2003

FRENCH CANCAN de Jean Renoir - 27.09.2003


(…) Sabe-se que se trata de alguns episódios da vida de Zidler (Danglard), que criou o "Moulin-Rouge" no local do Cabaret de la Reine-Blanche. (…) Se Jean Renoir conseguiu evocar no ecrã, de uma maneira visualmente válida, uma certa época da pintura, tal nunca acontece por uma imitação exterior das suas características formais, mas sim por se colocar num determinado ponto de inspiração a partir do qual a sua direcção se ordena, espontânea e naturalmente, com um estilo concordante com essa pintura. (…) Mas French Cancan é para mim muito mais do que essa integração do estilo pictórico: o seu desenvolvimento no tempo. Ouso mesmo dizer que este filme é tão belo quanto um quadro de Renoir, mas um quadro com uma duração, um futuro interior. Esta afirmação sugere contradições que há que rectificar de imediato. Não sendo a verdadeira pintura, na sua essência, anedótica, e muito menos a de Renoir, o seu desenvolvimento temporal também não é dramático. A inestimável importância de French Cancan advém, na minha opinião, quase inteiramente dessa originalidade que lança, retrospectivamente, uma nova luz e, quiçá, explica completando-a, a evolução já bem desenhada em Le Carrosse. É certo que já louvámos outros filmes por terem sabido libertar-se das categorias dramáticas, mas isto para constatar a sua inspiração literária. Neste caso, trata-se de uma perspectiva estética totalmente diferente. Efectivamente, a pintura não é senão objectivamente intemporal. De facto, para quem a contempla, é um universo a descobrir, a explorar. Assim, o tempo é uma dimensão virtual do quadro. Mas, se esse quadro começar a viver, a sofrer metamorfoses que vão afectar tanto o seu equilíbrio plástico como o seu tema, vemos que esse tempo objectivo não substitui de modo algum o tempo subjectivo mas, pelo contrário, se junta a ele. E é essa a sensação que nos provoca o espectáculo de French Cancan, a de existir em dois tempos, o tempo objectivo dos acontecimentos e o tempo subjectivo da sua contemplação.
(…) É o impressionismo multiplicado pelo cinema.
André Bazin
Jean Renoir, ed.Champ Libre
in  catálogo Temps d'Images 2003

LA DIRECTION D'ACTEURS PAR JEAN RENOIR de Gisèle Braunberger - 27.09.2003

(...) Tinha visto Renoir dirigir a figuração de French Cancan. Era a primeira vez que via um realizador interessar-se pelo menor figurante, indicar a cada um o que tinha a fazer de específico. Normalmente, é o segundo ou  o terceiro assistente quem se ocupa dessas coisas. Resultado: a multidão dá a impressão de ser inerte, aqui ela vivia…
Nessa altura eu própria era uma simples figurante. Mas a ideia de fazer um filme sobre este método nasceu aí. (…)
Gisèle Braunberger
entrevista de Claude Beylie
in L'Avant-Scène Cinéma nº251/252

THE GOLDEN COACH (A Comédia e a Vida) de Jean Renoir - 25.09.2003