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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

A KING IN NEW YORK - Charles Chaplin - 06.11.2013 - 19h00


(...) Só vejo um meio de gostar de um filme. É ser transportado pelo entusiasmo diante da sua exibição, é confundi-lo com o seu mito. Quero dizer que a própria fraqueza do roteiro permite, melhor ainda, um olhar atento para discernir a técnica da "mise en scène" e da direcção dos actores. Que ela seja sublime não nos surpreende, mas continua evidentemente a nos deslumbrar. Para além de tudo o que se possa pensar de bom ou de ruim a respeito de todos os episódios do filme, burlescos, patéticos, dramáticos ou sem importância, o universo chapliniano ainda é de uma beleza fascinante. O grau de despojamento por ele alcançado de imediato talvez seja superior ao de Verdoux. A secura do gesto, a elegância incisiva da representação, a concentração da ironia, a economia fulgurante da elipse exalam um encanto vertiginoso que age, a rigor, como por hipnotismo. Senti isso em particular na segunda vez em que assisti ao filme, quando a segunda parte me pareceu decididamente se formar de túneis intermináveis. Subsistia em mim apenas a imperativa contemplação de uma espécie de geometria luminosa, do centro da qual irradiavia, entretanto,  uma presença ao mesmo tempo humana e abstracta.

Guardei sobretudo a lembrança de portas abertas e fechadas, entradas e saídas, chapéus falaciosamente esquecidos sobre uma poltrona para permitir a volta ao local, em suma, uma agitação sublimemente vã como uma dança. Tudo depende, portanto, do lado pelo qual se analisa o filme. Se for pelo roteiro, ou mesmo pela "mensagem", creio que ele não resiste à análise, devendo apenas ao prestígio de Chaplin evitar o ridículo. Mas se for, justamente, por intermédio de Chaplin e de seu gênio de realizador, então naturalmente há mais a admirar e aprender com Um Rei em Nova Iorque que em um ano de cinema mundial.

Chaplin é sempre Chaplin, mas agora é apenas Chaplin

André Bazin
France-Observateur, nº390, 
31 de Outubro de 1957

KID AUTO RACE AT VENICE, CAL - Charles Chaplin - 06.11.2013 - 19h00


Kid Auto Race at Venice, Cal e A King in New York de Charles Chaplin apresentados por Marcos Uzal


Marcos Uzal apresenta Kid Auto Race at Venice, Cal e A King in New York de Charles Chaplin from O Cinema a volta de cinco artes on Vimeo.
Marcos Uzal apresenta Kid Auto Race at Venice, Cal e A King in New York de Charles Chaplin na Cinemateca Portuguesa no âmbito do ciclo de cinema do Festival Temps d'Images  "O Cinema à volta de cinco Artes - cinco Artes à volta do Cinema", na quarta-feira 6 de Novembro de 2013. ©Cinemateca Portuguesa-Temps d'Images 

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

HIS NEW JOB de Charles Chaplin - 06.11.2009


(...) Temos duas séries de planos que conservam a memória de uma frontalidade primitiva - “frontalidade”, significando a proximidade com o enquadramento do palco à italiana: um chão, duas paredes, uma de cada lado, um telão em fundo, inexistência de tecto, uma personagem de pé: o todo centrado. Estamos, pois, perante duas salas contíguas, cada uma olhada como um espaço cénico em si. Um pouco como se pedíssemos ao público de um teatro, de cada vez que uma personagem sai pela esquerda ou pela direita, para passar para uma sala contígua para ver a continuação da peça num outro palco. (...)
Jean Breschand
in catálogo "cinematografia – teatralidade 1"
Lisboa, Outubro de 2009