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terça-feira, 3 de novembro de 2009

TANGO de Zbigniew Rybczynski - 07.11.2009


(...) O filme é constituído por um único plano durante o qual a câmara permanece fixa. No ecrã vemos uma sala de dimensões reduzidas, com 4 aberturas para fora-de-campo (3 portas e 1 janela). Em cena vão entrando personagens: um rapaz vem buscar uma bola que acabou de entrar pela janela. A sua acção dura exactamente 12 segundos e recomeça assim que acaba. Em ciclo. Irá repetir-se 36 vezes. O 37º ciclo terá um final diferente.(...)
As acções apresentam-se como um elenco de gestos prováveis e vulgares no quotidiano de uma sala que aparece como um palco. São, obviamente, gravadas no mesmo espaço mas em tempos diferentes. Aparentam simultaneidade física. O autor parece querer estabelecer uma linha de indecisão palpável entre a ilusão credível de uma cena fotografada, onde se movem personagens reais, e a evidência de que tais personagens nunca se encontram entre si nas suas trajectórias no interior do espaço exíguo: a solidão apesar da multidão, a estranheza apesar dos gestos repetidos e familiares.(...)
Marina Estela Graça
in catálogo "cinematografia – teatralidade 1"
Lisboa, Outubro de 2009

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

PAS DE DEUX de Norman McLaren - 03.11.2008


(...) Pas de Deux faz parte de uma trilogia de filmes com Ballet Adagio, 1972, e Narcissus, 1983. Estes são exercícios fílmicos nos quais a expressão de uma forma muito específica e codificada de acção, o ballet, é abordada.
McLaren há-de declarar muitas vezes a sua devoção à dança sublinhando nela a dimensão do movimento:
"Every film for me is a kind of dance, because the most important thing in film is motion, movement. No matter what it is you’re moving, wether it’s people or objects or drawings; and in what way it’s done, it’s a form of dance."
Obviamente, quando falamos de movimento não estamos necessariamente a referir o voo das gaivotas, tal como quando falamos de pintura não nos referimos ao pôr-do-sol, diria outro animador para quem a expressão do movimento era essencial enquanto dimensão abstracta. O mesmo é verdadeiro quando falamos de um filme de Norman McLaren: é sempre questão de movimento.
A origem do movimento que vemos no ecrã em Pas de Deux, parece ter lugar no corpo dos bailarinos; parece provir da energia que tem origem no seu corpo. Assim é, de facto, quando aqueles dançam perante nós num palco. Nunca é assim quando aparecem num ecrã de cinema. Há uma série de procedimentos técnicos que, ao mesmo tempo que permitem o registo e permanência fotográfica das formas no tempo, as transforma em signos que integram modos de codificação os quais lenta mas seguramente se vão instituindo como norma. (...)
Marina Estela Graça
in catálogo "cinematografia – coreografia 2"
Lisboa, Outubro de 2008