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terça-feira, 11 de novembro de 2014

LA FABRIQUE DE CONTE D'ÉTÉ de Jean-André Fieschi e Françoise Etchegaray - 11.11.2014 - 22h00


(...) "La Fabrique de Conte d'Eté" " é constituído por imagens filmadas em Hi8 por Françoise Etchegaray durante a rodagem de "Conte d'Été / Conto de Verão", por algumas cenas colhidas do filme e rushes no seu estado bruto. Ao evidenciar ligações, rupturas, confusões entre o filme e a sua rodagem, a montagem de Jean-André Fieschi (ajudado por Martine Bouquin) mostra, admiravelmente, como Rohmer consegue tecer o seu cenário neste “vestido sem costuras da realidade”, como dizia André Bazin. Basta que a rodagem seja feita de longe para nos ser difícil distinguir os momentos em que a desordem da vida dá lugar à encenação. Desde o início é perturbante constatar que o que pensávamos ser a chegada de Melvil Poupaud a Dinard é, afinal, o desembarque da sua personagem. Mais tarde, durante a filmagem na praia, a actividade da equipa do filme confunde-se com a dos veraneantes, ao ponto destes não se aperceberem de que também são figurantes. (...)

Cada plano de Rohmer surge aqui na sua beleza evidente, talvez melhor do que no filme que é constituído pela sua soma. A montagem de Fieschi, longe de se contentar com um didatismo sistemático, encadeando as etapas da "Fabrique" com o resultado obtido, sublinha a separação entre a beleza dos planos e a confusão aparente da sua filmagem, uma décalage que não se pode explicar apenas pela mudança de suporte. É este o segredo de Rohmer: o conseguir entrelaçar deste modo as palavras e os corpos com a luz e as cores do mundo.

Marcos Uzal
in Cinema 011
ed. Léo Scheer

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

DIE MARQUISE VON O... de Eric Rohmer - 06.11.2010 - 19h00

Ele parte para Nápoles e “se voltar de Nápoles e se, daqui até lá, as informações recebidas acerca dele não desmentirem a impressão geral que te causou, como poderias, se ele voltasse a apresentar o seu pedido, declarar-te?” Acabámos de viver um episódio da guerra durante a epopeia napoleónica, a História desenrola-se diante dos nossos olhos. O conde F..., oficial do exército russo que ataca M..., cidade da Alta Itália, salva a filha do governador de ser violada. Os culpados são fuzilados. Depois de ter sido dado por morto em combate, o conde aparece ao governador e quer saber, antes de ser enviado de regresso a Nápoles, se pode aspirar à mão da marquesa.
    Heinrich von Kleist, com esta pergunta da mulher do coronel à filha - “como declarar-te?” - adensa ainda mais o enigma. Quem pensa o quê? Quais são os sentimentos íntimos da marquesa para com o seu salvador “surgido como um anjo do céu”?
    A escrita de Kleist, quase desinteressada ou distraída (como se o texto se tivesse enredado no fumo espesso dos combates do início do filme) e a estrutura da narrativa fazem lembrar mais uma peça de teatro: instala-se o cenário, descreve-se as atitudes das personagens, os diálogos sucedem-se. Tensão, oposição, golpe de teatro e mudança de acto. (...)
Tanto o romance como o filme tiram partido de um ambiente perturbador para chegar a algo de anti-sentimental. As personagens agem, movem-se com paixão e, ao mesmo tempo, têm o sentido do dever, da honra, uma vontade de contenção. (...)
Philippe Fauvel
in catálogo "cinematografia – teatralidade 2"
Lisboa, Outubro de 2010