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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

VAMPYR de Carl Th. Dreyer - 07.11.2014 - 19h00


(...) Há muitas vagueações, e muitos movimentos de câmara, prolongando a duração dos planos, abandonando e retomando os enquadramentos e as personagens. A aparição e o apagamento, a materialização e a evanescência são intrínsecos à história da vampira, de Léone assombrada por Marguerite Chopin, do sonambulismo de David Gray no encalço das sombras. Vejam-se as que habitam as paredes e a escada do celeiro, as que dançam como sombras chinesas ou como num autêntico espectáculo de lanterna mágica, filmadas num longo travelling lateral. E há outros reflexos invertidos: a silhueta de Léone assim vista na outra margem do lago, o movimento da sombra que escava ao contrário uma sepultura na terra antes e depois de David entrar no moinho. Por fim, David Gray adormecido num banco de jardim desdobra-se ele próprio em transparência, para vaguear uma vez mais.

É uma das sequências mais justamente antológicas de vampyr: o protagonista, que ficou no banco do jardim, vagueia transparente para ir ao encontro da sua própria imagem que descobre jazendo de olhos inexpressivamente abertos num caixão de madeira com uma abertura envidraçada que emoldura a cabeça do “morto”. Se há muitas trocas de perspectivas ao longo de todo o filme, esta tripartida perspectiva, é sem dúvida o mais poderoso exemplo. Vemos o caixão a ser fechado do ponto de vista subjectivo do corpo nele recluso, depois, em contra-picados verticais, o céu, algumas fachadas, um sino de igreja, as árvores e as nuvens desfilam traçando o percurso do caixão na visão subjectiva de Gray, cujo rosto vemos em grandes planos que intercalam o desfile fúnebre até que este passa pelo jardim onde, ao longe, o mesmo Gray permanece sentado e adormecido. E há que notar como o alinhamento dos planos lembra o dispositivo de uma câmara de filmar enquanto se assiste ao fechar do caixão: a manivela a rodar, o quadrado envidraçado da abertura nele feita, a vela acesa em frente (em cima) dela, em rima com a vela que, no princípio, o mesmo Gray aproxima da gravura do quarto da estalagem para a ver ao perto. Há, aliás, vários outros quadros cuja presença não é displicente, por exemplo a grande tela do quarto de Léone. As figuras neles pintadas serão também fantasmagóricas, vagamente vampíricas também elas.
Maria João Madeira

in Folhas da Cinemateca

Vampyr de Carl Th. Dreyer apresentado por Miguel Marias


Miguel Marias apresenta "Vampyr" de Carl Th. Dreyer
from O Cinema a volta de cinco artes on Vimeo.

Miguel Marias apresenta "Vampyr" de Carl Th. Dreyer na Cinemateca Portuguesa no âmbito do ciclo de cinema do Festival Temps d'Images, O Cinema à volta de cinco Artes - Cinco Artes à volta do Cinema, na sexta-feira 7 de Novembro de 2014. © Cinemateca Portuguesa - Temps d'Images.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

DE NAEDE FAERGEN (Eles apanharam o Ferry) de Carl Th.Dreyer - 15.11.2011 - 19h30


O filme foi uma encomenda do governo dinamarquês, é um filme de segurança rodoviária, foi filmado por Dreyer cinco anos depois de Dia de Cólera e seis anos antes de Ordet (A Palavra), o seu próximo filme a ser exibido publicamente. (...) Dedicado quase exclusivamente à tensão e excitação de acelerar numa estrada paralela, é mais uma demonstração de que a arte de Dreyer, sobretudo elogiada pelas suas qualidades espirituais, reside de facto na sua realização concreta da experiência material. Apesar do seu fim efectivo admonitório, o objectivo geral deste curto filme é transmitir a excitação da velocidade junto com os seus perigos - um objecto-lição significante para todos os espectadores que identificam o realizador com a lentidão.
Jonathan Rosenbaum